Dias de Preparo


Dia 275 - Tuesday, 01 de October de 2024
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13 min

  • Salmos 111 e 113
  • Atos 9:19-30

Salmos 111

Ouça o áudio do capítulo:

1 Louvai ao SENHOR. Louvarei ao SENHOR de todo o meu coração, na assembléia dos justos e na congregação.

2 Grandes são as obras do Senhor, procuradas por todos os que nelas tomam prazer.

3 A sua obra tem glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre.

4 Fez com que as suas maravilhas fossem lembradas; piedoso e misericordioso é o Senhor.

5 Deu mantimento aos que o temem; lembrar-se-á sempre da sua aliança.

6 Anunciou ao seu povo o poder das suas obras, para lhe dar a herança dos gentios.

7 As obras das suas mãos são verdade e juízo, seguros todos os seus mandamentos.

8 Permanecem firmes para todo o sempre; e são feitos em verdade e retidão.

9 Redenção enviou ao seu povo; ordenou a sua aliança para sempre; santo e tremendo é o seu nome.

10 O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; o seu louvor permanece para sempre.

Salmos 113

Ouça o áudio do capítulo:

1 Louvai ao SENHOR. Louvai, servos do SENHOR, louvai o nome do SENHOR.

2 Seja bendito o nome do Senhor, desde agora para sempre.

3 Desde o nascimento do sol até ao ocaso, seja louvado o nome do Senhor.

4 Exaltado está o Senhor acima de todas as nações, e a sua glória sobre os céus.

5 Quem é como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas?

6 O qual se inclina, para ver o que está nos céus e na terra!

7 Levanta o pobre do pó e do monturo levanta o necessitado,

8 Para o fazer assentar com os príncipes, mesmo com os príncipes do seu povo.

9 Faz com que a mulher estéril habite em casa, e seja alegre mãe de filhos. Louvai ao Senhor.

Atos 9:19-30

Ouça o áudio do capítulo:

19 E, tendo comido, ficou confortado. E esteve Saulo alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco.

20 E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus.

21 E todos os que o ouviam estavam atônitos, e diziam: Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes?

22 Saulo, porém, se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que aquele era o Cristo.

23 E, tendo passado muitos dias, os judeus tomaram conselho entre si para o matar.

24 Mas as suas ciladas vieram ao conhecimento de Saulo; e como eles guardavam as portas, tanto de dia como de noite, para poderem tirar-lhe a vida,

25 Tomando-o de noite os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro.

26 E, quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo.

27 Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus.

28 E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo,

29 E falava ousadamente no nome do Senhor Jesus. Falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo.

30 Sabendo-o, porém, os irmãos, o acompanharam até Cesaréia, e o enviaram a Tarso.

Atos dos Apóstolos

Dias de Preparo

Ouça o áudio do capítulo:

Este capítulo é baseado em Atos 9:19-30.

Depois de seu batismo, Paulo quebrou o jejum, e permaneceu “alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco. E logo nas sinagogas pregava a Jesus, que Este era o Filho de Deus” Ousadamente, declarou ser Jesus de Nazaré o ansiado Messias, que “morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; [...] foi sepultado, e [...] ressurgiu ao terceiro dia”, após o que foi visto pelos doze e pelos outros. “E por derradeiro de todos”, acrescenta Paulo, “me apareceu também a mim, como a um abortivo”. 1 Coríntios 15:3, 4, 8. Sua argumentação com respeito às profecias era tão lógica, seus esforços tão manifestamente acompanhados pelo poder de Deus, que os judeus ficavam confundidos e incapazes de responder-lhe. AA 68.1

As novas da conversão de Paulo haviam chegado aos judeus como enorme surpresa. Aquele que havia viajado para Damasco “com poder e comissão dos principais dos sacerdotes” (Atos 26:12), para prender e processar os crentes, estava agora pregando o evangelho do Salvador crucificado e ressurgido, fortalecendo as mãos dos que eram, já, Seus discípulos e continuamente trazendo novos conversos para a fé a que antes tão amargamente se opusera. AA 68.2

Paulo fora anteriormente reconhecido como zeloso defensor da religião judaica, e implacável perseguidor dos seguidores de Jesus. Corajoso, independente, perseverante, seus talentos e preparo tê-lo-iam capacitado a servir quase em qualquer atividade. Era capaz de arrazoar com clareza extraordinária, e por seu fulminante sarcasmo podia colocar o adversário em posição nada invejável. E agora, os judeus viam esse jovem extraordinariamente promissor unido com aqueles a quem antes perseguira, pregando destemidamente no nome de Jesus. AA 68.3

Um general que tomba em combate está perdido para seu exército, mas sua morte não acrescenta força ao inimigo. Mas quando um homem preeminente se une às forças opositoras, não apenas se perdem seus serviços como ganham decidida vantagem aqueles com quem ele se une. Saulo de Tarso, em caminho para Damasco, podia facilmente ter sido fulminado pelo Senhor, e muita força se teria retirado do poder perseguidor. Mas Deus, em Sua providência, não apenas poupou a vida de Saulo, mas converteu-o, transferindo assim um campeão do campo do inimigo para o lado de Cristo. Orador eloqüente e crítico severo, Paulo, com seu decidido propósito e inquebrantável coragem, possuía as próprias qualificações necessárias à igreja primitiva. AA 68.4

Enquanto Paulo pregava a Cristo em Damasco, todos os que o ouviam ficavam admirados, e diziam: “Não é este o que em Jerusalém perseguia os que invocavam este nome, e para isso veio aqui, para os levar presos aos principais dos sacerdotes?” Atos 9:21. Paulo declarava que sua mudança de fé não tinha sido gerada por impulso ou fanatismo, mas fora resultado de irresistível evidência. Em sua apresentação do evangelho, ele procurava tornar claras as profecias relativas à primeira vinda de Cristo. Mostrava irrefutavelmente que essas profecias se tinham cumprido literalmente em Jesus de Nazaré. O fundamento de sua fé era a segura palavra da profecia. AA 69.1

Enquanto continuava a apelar a seus assombrados ouvintes para “que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento” (Atos 26:20), Saulo “se esforçava muito mais, e confundia os judeus que habitavam em Damasco, provando que Aquele era o Cristo”. Atos 9:22. Muitos, porém, endureceram o coração, recusando-se a atender a sua mensagem; e logo o espanto deles pela sua conversão foi mudado em ódio intenso, semelhante ao que haviam mostrado para com Jesus. AA 69.2

A oposição tornou-se tão violenta que não foi permitido a Paulo continuar suas atividades em Damasco. Um mensageiro do Céu ordenou-lhe retirar-se por algum tempo; e ele foi “para a Arábia”, onde encontrou um refúgio seguro. Gálatas 1:17. AA 69.3

Ali, na solidão do deserto, Paulo teve ampla oportunidade para sossegado estudo e meditação. Recapitulou calmamente sua experiência passada, possuindo-se de genuíno arrependimento. Buscou a Deus de todo o coração, não descansando até que tivesse a certeza de que seu arrependimento fora aceito e seus pecados perdoados. Anelava a certeza de que Jesus estaria com ele em seu ministério futuro. Esvaziou a mente dos preconceitos e tradições que lhe haviam, até então, modelado a vida e recebeu instruções da fonte da verdade. Jesus comungou com ele e confirmou-o na fé, conferindo-lhe uma rica medida de sabedoria e graça. AA 69.4

Quando a mente de um homem é posta em comunhão com a mente de Deus, o finito com o Infinito, o efeito sobre o corpo, a mente e o espírito vai além do admissível. Em comunhão tal é encontrada a mais alta educação. É o método de desenvolvimento usado por Deus. “Reconcilia-te com Ele”, é a mensagem do Senhor à humanidade. Jó 22:21. AA 69.5

A solene incumbência dada a Paulo por ocasião de seu encontro com Ananias, pesou-lhe mais e mais sobre o coração. Quando, em resposta à declaração: “Irmão Saulo, o Senhor Jesus... me enviou, para que tornes a ver”, Paulo olhou pela primeira vez a face desse devoto homem, Ananias, que sob a inspiração do Espírito Santo, disse-lhe: “O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a Sua vontade, e vejas aquele Justo, e ouças a voz de Sua boca. Porque hás de ser Sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. E agora por que te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor”. Atos 22:14-16. AA 69.6

Essas palavras estavam em harmonia com as palavras do próprio Jesus, que, quando deteve Saulo na viagem para Damasco, declarou: “Porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda; livrando-te deste povo e dos gentios, a quem agora te envio, para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão dos pecados, e sorte entre os santificados pela fé em Mim”. Atos 26:16-18. AA 70.1

Ponderando essas coisas em seu coração, Paulo compreendeu mais e mais claramente a razão de seu chamado — ser um “apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus”. 1 Coríntios 1:1. Esse chamado lhe veio, “não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai”. Gálatas 1:1. A magnitude da obra que estava a sua frente levou-o a dedicar muito estudo às Escrituras Sagradas, a fim de que pudesse pregar o evangelho, “não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã”, “mas em demonstração de Espírito e de poder”, para que a fé de todos os que ouvissem “não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus”. 1 Coríntios 1:17; 2:4, 5. AA 70.2

Ao examinar as Escrituras, Paulo aprendeu que, através dos séculos, “não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante Ele”. 1 Coríntios 1:26-29. E assim, considerando a sabedoria do mundo a partir da perspectiva da cruz, Paulo se propôs nada “saber... se não a Jesus Cristo, e Este crucificado”. 1 Coríntios 2:2. AA 70.3

Através de todo o seu ministério posterior, Paulo jamais perdeu de vista a Fonte de sua sabedoria e força. Mais para o fim da sua experiência, declarou: “Porque para mim o viver é Cristo”. Filipenses 1:21. E de novo: “Tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas... para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nEle, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; para conhecê-Lo, e à virtude da Sua ressurreição, e à comunicação de Suas aflições”. Filipenses 3:8-10. AA 70.4

Da Arábia, Paulo voltou outra vez a Damasco (Gálatas 1:17), e “falava ousadamente... no nome de Jesus” Incapazes de resistir à sabedoria de seus argumentos, “os judeus tomaram conselho entre si para o matar” As portas da cidade eram guardadas diligentemente, de dia e de noite, para impedir que ele escapasse. Essa situação crítica levou os discípulos a buscar a Deus com fervor; e, finalmente, “tomando-o de noite, os discípulos o desceram, dentro de um cesto, pelo muro”. Atos 9:25. AA 70.5

Depois de escapar de Damasco, Paulo foi a Jerusalém, tendo já passado três anos de sua conversão. Seu principal objetivo ao fazer essa visita, como ele próprio mais tarde declarou, era “ver a Pedro”. Gálatas 1:18. Tendo chegado à cidade onde antes fora bem conhecido como “Saulo, o perseguidor”, “procurava ele juntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo” Era-lhes difícil crer que tão fanático fariseu, e um dos que tanto fizeram para destruir a igreja, pudesse estar transformado num sincero seguidor de Jesus. “Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus”. Atos 9:27. AA 71.1

Ouvindo isso, os discípulos o receberam com confiança. Logo tiveram provas abundantes da genuinidade de sua experiência cristã. O futuro apóstolo dos gentios agora se achava na cidade em que viviam muitos de seus anteriores companheiros; e a esses líderes judeus almejava ele explicar as profecias relativas ao Messias, as quais se cumpriram no advento do Salvador. Paulo estava certo de que esses mestres em Israel, com os quais estivera tão bem familiarizado, eram tão sinceros e honestos como ele o fora. Mas avaliara erradamente o espírito de seus irmãos judeus e, na esperança de sua rápida conversão, estava condenado a amargo desapontamento. Ainda que falasse “ousadamente no nome de Jesus”, e disputasse “também contra os gregos”, aqueles que estavam à testa da igreja judaica se recusaram a crer, antes “procuravam matá-lo” A tristeza encheu-lhe o coração. De boa vontade teria ele dado a vida se, por esse meio, pudesse trazer alguns ao conhecimento da verdade. Com vergonha pensava na parte ativa que tomara no martírio de Estêvão; e agora, em sua ansiedade por apagar a mancha que repousava sobre aquele que fora tão falsamente acusado, procurava reivindicar a verdade pela qual Estêvão dera a vida. AA 71.2

Sentindo a responsabilidade em relação aos que se recusavam a crer, estava Paulo a orar no templo, como ele próprio testificou mais tarde, quando caiu em êxtase. Nisso apareceu diante dele um mensageiro celestial e disse: “Dá-te pressa, e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de Mim”. Atos 22:18. AA 71.3

Paulo se inclinava a permanecer em Jerusalém, onde poderia fazer frente à oposição. Parecia-lhe um ato de covardia fugir, se, permanecendo, pudesse convencer alguns dos obstinados judeus quanto à verdade da mensagem do evangelho, mesmo que o permanecer lhe custasse a vida. E assim respondeu: “Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em Ti. E quando o sangue de Estêvão, Tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava os vestidos dos que o matavam” Mas não estava de acordo com os propósitos de Deus que Seu servo desnecessariamente expusesse a vida; e o mensageiro celestial respondeu: “Vai, porque hei de enviar-te aos gentios de longe”. Atos 22:19-21. AA 71.4

Ao saberem dessa visão, os irmãos apressaram-se em efetuar ocultamente a saída de Paulo de Jerusalém, receosos de que fosse assassinado. Os irmãos “o acompanharam até Cesaréia, e o enviaram a Tarso”. Atos 9:30. A partida de Paulo suspendeu por algum tempo a oposição violenta dos judeus, e a igreja teve um período de descanso, no qual muitos foram acrescentados ao número dos crentes. AA 72.1

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