A Luz da Vida


Dia 196 - Sunday, 14 de July de 2024
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45 min

  • Ezequiel 19 e 20
  • João 8:12-59
  • João 9:1-41

Ezequiel 19

Ouça o áudio do capítulo:

1 E tu levanta uma lamentação sobre os príncipes de Israel,

2 E dize: Quem foi tua mãe? Uma leoa entre os leões a qual, deitada no meio dos leõezinhos, criou os seus filhotes.

3 E educou um dos seus filhotes, o qual veio a ser leãozinho e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens,

4 E, ouvindo falar dele as nações, foi apanhado na cova delas, e o trouxeram com cadeias à terra do Egito.

5 Vendo, pois, ela que havia esperado muito, e que a sua expectação era perdida, tomou outro dos seus filhotes, e fez dele um leãozinho.

6 Este, pois, andando continuamente no meio dos leões, veio a ser leãozinho, e aprendeu a apanhar a presa, e devorou homens.

7 E conheceu os seus palácios, e destruiu as suas cidades; e assolou-se a terra, e a sua plenitude, ao som do seu rugido.

8 Então se ajuntaram contra ele os povos das províncias ao redor, e estenderam sobre ele a rede, e foi apanhado na cova deles.

9 E com cadeias colocaram-no em uma jaula, e o levaram ao rei de babilônia; fizeram-no entrar nos lugares fortes, para que não se ouvisse mais a sua voz nos montes de Israel.

10 Tua mãe era como uma videira no teu sangue, plantada junto às águas; ela frutificou, e encheu-se de ramos, por causa das muitas águas.

11 E tinha varas fortes para cetros de dominadores, e elevou-se a sua estatura entre os espessos ramos, e foi vista na sua altura com a multidão dos seus ramos.

12 Mas foi arrancada com furor, foi lançada por terra, e o vento oriental secou o seu fruto; quebraram-se e secaram-se as suas fortes varas, o fogo as consumiu,

13 E agora está plantada no deserto, numa terra seca e sedenta.

14 E de uma vara dos seus ramos saiu fogo que consumiu o seu fruto de maneira que nela não há mais vara forte, cetro para dominar. Esta é a lamentação, e servirá de lamentação.

Ezequiel 20

Ouça o áudio do capítulo:

1 E aconteceu, no sétimo ano, no quinto mês, aos dez do mês, que vieram alguns dos anciãos de Israel, para consultarem o SENHOR; e assentaram-se diante de mim.

2 Então veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:

3 Filho do homem, fala aos anciãos de Israel, e dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Viestes consultar-me? Vivo eu, que não me deixarei ser consultado por vós, diz o Senhor DEUS.

4 Porventura tu os julgarias, julgarias tu, ó filho do homem? Notifica-lhes as abominações de seus pais;

5 E dize-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: No dia em que escolhi a Israel, levantei a minha mão para a descendência da casa de Jacó, e me dei a conhecer a eles na terra do Egito, e levantei a minha mão para eles, dizendo: Eu sou o SENHOR vosso Deus;

6 Naquele dia levantei a minha mão para eles, para os tirar da terra do Egito, para uma terra que já tinha previsto para eles, a qual mana leite e mel, e é a glória de todas as terras.

7 Então lhes disse: Cada um lance de si as abominações dos seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o Senhor vosso Deus.

8 Mas rebelaram-se contra mim, e não me quiseram ouvir; ninguém lançava de si as abominações dos seus olhos, nem deixava os ídolos do Egito; então eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir a minha ira contra eles no meio da terra do Egito.

9 O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos dos gentios, no meio dos quais estavam, a cujos olhos eu me dei a conhecer a eles, para os tirar da terra do Egito.

10 E os tirei da terra do Egito, e os levei ao deserto.

11 E dei-lhes os meus estatutos e lhes mostrei os meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles.

12 E também lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre mim e eles; para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.

13 Mas a casa de Israel se rebelou contra mim no deserto, não andando nos meus estatutos, e rejeitando os meus juízos, os quais, cumprindo-os, o homem viverá por eles; e profanaram grandemente os meus sábados; e eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir.

14 O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos dos gentios perante a vista dos quais os fiz sair.

15 E, contudo, eu levantei a minha mão para eles no deserto, para não os deixar entrar na terra que lhes tinha dado, a qual mana leite e mel, e é a glória de todas as terras;

16 Porque rejeitaram os meus juízos, e não andaram nos meus estatutos, e profanaram os meus sábados; porque o seu coração andava após os seus ídolos.

17 Não obstante o meu olho lhes perdoou, e eu não os destruí nem os consumi no deserto.

18 Mas disse eu a seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis os seus juízos, nem vos contamineis com os seus ídolos.

19 Eu sou o Senhor vosso Deus; andai nos meus estatutos, e guardai os meus juízos, e executai-os.

20 E santificai os meus sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus.

21 Mas também os filhos se rebelaram contra mim, e não andaram nos meus estatutos, nem guardaram os meus juízos para os fazer, os quais, cumprindo-os, o homem viverá por eles; eles profanaram os meus sábados; por isso eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir contra eles a minha ira no deserto.

22 Mas contive a minha mão, e o fiz por amor do meu nome, para que não fosse profanado perante os olhos dos gentios, à vista dos quais os fiz sair.

23 Também levantei a minha mão para eles no deserto, para os espalhar entre os gentios, e os derramar pelas terras,

24 Porque não executaram os meus juízos, e rejeitaram os meus estatutos, e profanaram os meus sábados, e os seus olhos iam após os ídolos de seus pais.

25 Por isso também lhes dei estatutos que não eram bons, juízos pelos quais não haviam de viver;

26 E os contaminei em seus próprios dons, nos quais faziam passar pelo fogo tudo o que abre a madre; para assolá-los para que soubessem que eu sou o Senhor.

27 Portanto fala à casa de Israel, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Ainda até nisto me blasfemaram vossos pais, e que procederam traiçoeiramente contra mim.

28 Porque, havendo-os eu introduzido na terra sobre a qual eu levantara a minha mão, para lha dar, então olharam para todo o outeiro alto, e para toda a árvore frondosa, e ofereceram ali os seus sacrifícios e apresentaram ali a provocação das suas ofertas; puseram ali os seus cheiros suaves, e ali derramaram as suas libações.

29 E eu lhes disse: Que alto é este, aonde vós ides? E seu nome tem sido Bamá até o dia de hoje.

30 Portanto dize à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Contaminai-vos a vós mesmos a maneira de vossos pais? E vos prostituístes com as suas abominações?

31 E, quando ofereceis os vossos dons, e fazeis passar os vossos filhos pelo fogo, não é certo que estais contaminados com todos os vossos ídolos, até este dia? E vós me consultaríeis, ó casa de Israel? Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que vós não me consultareis.

32 E o que veio à vossa mente de modo algum sucederá, quando dizeis: Seremos como os gentios, como as outras famílias da terra, servindo ao madeiro e à pedra.

33 Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada, hei de reinar sobre vós.

34 E vos tirarei dentre os povos, e vos congregarei das terras nas quais andais espalhados, com mão forte, e com braço estendido, e com indignação derramada.

35 E vos levarei ao deserto dos povos; e ali face a face entrarei em juízo convosco;

36 Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor DEUS.

37 Também vos farei passar debaixo da vara, e vos farei entrar no vínculo da aliança.

38 E separarei dentre vós os rebeldes, e os que transgrediram contra mim; da terra das suas peregrinações os tirarei, mas à terra de Israel não voltarão; e sabereis que eu sou o Senhor.

39 Quanto a vós, ó casa de Israel, assim diz o Senhor DEUS; Ide, sirva cada um os seus ídolos, pois que a mim não me quereis ouvir; mas não profaneis mais o meu santo nome com as vossas dádivas e com os vossos ídolos.

40 Porque no meu santo monte, no monte alto de Israel, diz o Senhor DEUS, ali me servirá toda a casa de Israel, toda ela naquela terra; ali me deleitarei neles, e ali requererei as vossas ofertas alçadas, e as primícias das vossas oblações, com todas as vossas coisas santas;

41 Com cheiro suave me deleitarei em vós, quando eu vos tirar dentre os povos e vos congregar das terras em que andais espalhados; e serei santificado em vós perante os olhos dos gentios.

42 E sabereis que eu sou o Senhor, quando eu vos introduzir na terra de Israel, terra pela qual levantei a minha mão para dá-la a vossos pais.

43 E ali vos lembrareis de vossos caminhos, e de todos os vossos atos com que vos contaminastes, e tereis nojo de vós mesmos, por causa de todas as vossas maldades que tendes cometido.

44 E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu proceder para convosco por amor do meu nome; não conforme os vossos maus caminhos, nem conforme os vossos atos corruptos, ó casa de Israel, disse o Senhor DEUS.

45 E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:

46 Filho do homem, dirige o teu rosto para o caminho do sul, e derrama as tuas palavras contra o sul, e profetiza contra o bosque do campo do sul.

47 E dize ao bosque do sul: Ouve a palavra do SENHOR: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que acenderei em ti um fogo que em ti consumirá toda a árvore verde e toda a árvore seca; não se apagará a chama flamejante, antes com ela se queimarão todos os rostos, desde o sul até ao norte.

48 E verá toda a carne que eu, o Senhor, o acendi; não se apagará.

49 Então disse eu: Ah! Senhor DEUS! Eles dizem de mim: Não é este um proferidor de parábolas?

João 8:12-59

Ouça o áudio do capítulo:

12 Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

13 Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro.

14 Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho, nem para onde vou.

15 Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo.

16 E, se na verdade julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou.

17 E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro.

18 Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou.

19 Disseram-lhe, pois: Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai.

20 Estas palavras disse Jesus no lugar do tesouro, ensinando no templo, e ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.

21 Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Eu retiro-me, e buscar-me-eis, e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, não podeis vós vir.

22 Diziam, pois, os judeus: Porventura quererá matar-se a si mesmo, pois diz: Para onde eu vou não podeis vir?

23 E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.

24 Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.

25 Disseram-lhe, pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse.

26 Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido, isso falo ao mundo.

27 Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai.

28 Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis que EU SOU, e que nada faço por mim mesmo; mas isto falo como meu Pai me ensinou.

29 E aquele que me enviou está comigo. O Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.

30 Dizendo ele estas coisas, muitos creram nele.

31 Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;

32 E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

33 Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?

34 Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.

35 Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.

36 Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

37 Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós.

38 Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.

39 Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.

40 Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto.

41 Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de fornicação; temos um Pai, que é Deus.

42 Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.

43 Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra.

44 Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.

45 Mas, porque vos digo a verdade, não me credes.

46 Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes?

47 Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus.

48 Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio?

49 Jesus respondeu: Eu não tenho demônio, antes honro a meu Pai, e vós me desonrais.

50 Eu não busco a minha glória; há quem a busque, e julgue.

51 Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.

52 Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte.

53 És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E também os profetas morreram. Quem te fazes tu ser?

54 Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus.

55 E vós não o conheceis, mas eu conheço-o. E, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.

56 Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.

57 Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?

58 Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.

59 Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.

João 9:1-41

Ouça o áudio do capítulo:

1 E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença.

2 E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

3 Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.

4 Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

5 Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

6 Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego.

7 E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.

8 Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava?

9 Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.

10 Diziam-lhe, pois: Como se te abriram os olhos?

11 Ele respondeu, e disse: O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé, e lava-te. Então fui, e lavei-me, e vi.

12 Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.

13 Levaram, pois, aos fariseus o que dantes era cego.

14 E era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.

15 Tornaram, pois, também os fariseus a perguntar-lhe como vira, e ele lhes disse: Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo.

16 Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles.

17 Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta.

18 Os judeus, porém, não creram que ele tivesse sido cego, e que agora visse, enquanto não chamaram os pais do que agora via.

19 E perguntaram-lhes, dizendo: É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora?

20 Seus pais lhes responderam, e disseram: Sabemos que este é o nosso filho, e que nasceu cego;

21 Mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não sabemos. Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo; e ele falará por si mesmo.

22 Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga.

23 Por isso é que seus pais disseram: Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo.

24 Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.

25 Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo.

26 E tornaram a dizer-lhe: Que te fez ele? Como te abriu os olhos?

27 Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos também seus discípulos?

28 Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés.

29 Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é.

30 O homem respondeu, e disse-lhes: Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos.

31 Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.

32 Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.

33 Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.

34 Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no.

35 Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus?

36 Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia?

37 E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo.

38 Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou.

39 E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos.

40 E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos?

41 Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.

O Desejado de Todas as Nações

A Luz da Vida

Ouça o áudio do capítulo:

Este capítulo é baseado em João 8:12-59; 9.

Falou-lhes pois Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”. João 8:12. Ao falar essas palavras, estava Jesus no pátio do templo, especialmente relacionado com as cerimônias religiosas da festa dos tabernáculos. No centro desse pátio erguiam-se dois altos pilares sustentando suportes de lâmpadas, de grandes dimensões. Depois do sacrifício da tarde, acendiam-se todas as lâmpadas, que derramavam luz sobre Jerusalém. Essa cerimônia comemorava a coluna luminosa que guiara Israel no deserto, e era também considerada como apontando para a vinda do Messias. À noitinha, quando se acendiam as lâmpadas, o pátio apresentava uma cena de grande regozijo. Homens de cabelos brancos, os sacerdotes do templo e os príncipes do povo, uniam-se em festivas danças ao som dos instrumentos e dos cantos dos levitas. DTN 326.1

Na iluminação de Jerusalém, o povo exprimia sua esperança da vinda do Messias, para espalhar Sua luz sobre Israel. Para Jesus, porém, tinha a cena mais ampla significação. Como as irradiantes lâmpadas do templo iluminavam tudo em derredor, assim Cristo, a fonte da luz espiritual, ilumina as trevas do mundo. Todavia, o símbolo era imperfeito. Aquela grande luz que Sua própria mão pusera no céu era uma representação mais fiel da glória de Sua missão. DTN 326.2

Era de manhã; o Sol acabava de erguer-se sobre o Monte das Oliveiras, e seus raios incidiam com ofuscante claridade no mármore dos palácios, fazendo rebrilhar o ouro das paredes do templo, quando Jesus, apontando-o, disse: “Eu sou a luz do mundo”. João 8:12. DTN 326.3

Muito posteriormente, foram essas palavras repetidas, por alguém que as ouvira, nesta sublime passagem: “NEle estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.” “Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo”. João 1:4, 5, 9. E muito depois de Cristo haver ascendido ao Céu, Pedro também, escrevendo sob a iluminação do Espírito divino, evocou o símbolo empregado por Cristo: “E temos mui firme a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vossos corações”. 2 Pedro 1:19. DTN 326.4

Na manifestação de Deus a Seu povo, a luz fora sempre um símbolo de Sua presença. À ordem da palavra criadora, no princípio, a luz brilhara das trevas. Estivera velada na coluna de nuvens de dia, e na de fogo à noite, conduzindo os vastos exércitos de Israel. Resplandecera com terrível majestade em volta do Senhor, no Monte Sinai. Repousava sobre o propiciatório no tabernáculo. Enchera o templo de Salomão, ao ser dedicado. Nas colinas de Belém, quando os anjos trouxeram a mensagem de redenção aos pastores de vigia, brilhara a luz. DTN 326.5

Deus é luz; e nas palavras: “Eu sou a luz do mundo”, Cristo declarou Sua unidade com Deus e Sua relação para com toda a família humana. Fora Ele que, no princípio, fizera com que “das trevas resplandecesse a luz”. 2 Coríntios 4:6. Ele é a luz do Sol, e da Lua, e das estrelas. Era Ele a luz espiritual que, em símbolo e tipo e profecia, brilhara sobre Israel. Mas não somente para a nação judaica fora dada essa luz. Como os raios solares penetram até aos mais afastados recantos da Terra, assim a luz do Sol da Justiça resplandece sobre todos. DTN 327.1

“Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo.” O mundo tem tido seus grandes ensinadores, homens de cérebro gigantesco e dotados de admirável capacidade de investigação, homens cujas declarações têm estimulado o pensamento e aberto à visão vastos campos de conhecimento; e esses homens têm sido honrados como guias e benfeitores de sua raça. Alguém existe, porém, que os supera a todos. “A todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.” “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, Esse O fez conhecer”. João 1:12, 18. Podemos seguir os passos dos grandes homens do mundo até aonde se estende o registro da história humana; a Luz, porém, existia antes deles. Como a Lua e as estrelas de nosso sistema solar brilham pelo reflexo da luz do Sol, assim, no que há de verdadeiro em seus ensinos, refletem os grandes pensadores do mundo os raios do Sol da Justiça. Toda jóia de pensamento, todo lampejo de intelecto, provém da luz do mundo. Ouvimos muito, hoje em dia, acerca da “educação superior”. A verdadeira “educação superior” é a comunicada por Aquele “em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência”. Colossenses 2:3. “NEle estava a vida, e a vida era a luz dos homens”. João 1:4. “Quem Me segue não andará em trevas”, disse Jesus, “mas terá a luz da vida.” DTN 327.2

Com as palavras “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12), Jesus Se declarou o Messias. O velho Simeão, no templo em que Jesus ora ensinava, falara dEle como “Luz para alumiar as nações, e para glória de Teu povo Israel”. Lucas 2:32. Por essas palavras, aplicava a Ele uma profecia familiar a todo o Israel. Por intermédio do profeta Isaías, o Espírito Santo declarara: “Pouco é que sejas o Meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os guardados de Israel; também Te dei para luz dos gentios, para seres a Minha salvação até à extremidade da Terra”. Isaías 49:6. Esta profecia era geralmente compreendida como se referindo ao Messias, e quando Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo”, o povo não podia deixar de reconhecer que Ele Se declarava o Prometido. DTN 327.3

Para os fariseus e principais, essa afirmação afigurava-se arrogante presunção. Que um homem como eles próprios tivesse essas pretensões, não podiam eles tolerar. Aparentando passar por alto Suas palavras, perguntaram: “Quem és Tu?” Intentavam forçá-Lo a declarar-Se o Cristo. Sua aparência e obra estavam em tanto desacordo com a expectativa do povo que, segundo criam Seus astutos inimigos, uma declaração positiva de Sua parte como Messias, daria lugar a que Ele fosse rejeitado como impostor. DTN 328.1

Mas à pergunta deles: “Quem és Tu”, Jesus replicou: “Isso mesmo que já desde o princípio vos disse”. João 8:25, 26. O que revelara em Suas palavras, manifestava-se também em Seu caráter. Ele era a personificação das verdades que ensinava. “Nada faço por Mim mesmo; mas falo como o Pai Me ensinou. E Aquele que Me enviou está comigo; o Pai não Me tem deixado só, porque Eu faço sempre o que Lhe agrada”. João 8:28, 29. Ele não tentou provar Sua messianidade, mas mostrou Sua unidade com Deus. Se o espírito deles houvesse estado aberto ao amor divino, teriam recebido a Jesus. DTN 328.2

Entre os ouvintes, muitos foram para Ele atraídos com fé, e a estes Jesus disse: “Se vós permanecerdes na Minha palavra, verdadeiramente sereis Meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. João 8:31, 32. DTN 328.3

Essas palavras ofenderam os fariseus. Passaram por alto a longa sujeição de seu povo a um jugo estrangeiro, e exclamaram, zangados: “Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes Tu: Sereis livres?” João 8:33. Jesus olhou a esses homens, escravos da malignidade, cujos pensamentos iam após vinganças, e respondeu com tristeza: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado”. João 8:34. Eles se achavam na pior espécie de servidão — governados pelo espírito do mal. DTN 328.4

Toda pessoa que recusa entregar-se a Deus, acha-se sob o domínio de outro poder. Não pertence a si mesma. Pode falar de liberdade, mas está na mais vil servidão. Não lhe é permitido ver a beleza da verdade, pois sua mente se encontra sob o poder de Satanás. Enquanto se lisonjeia de seguir os ditames de seu próprio discernimento, obedece à vontade do príncipe das trevas. Cristo veio quebrar as algemas da escravidão do pecado para a alma. “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” “A lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus” nos liberta “da lei do pecado e da morte”. Romanos 8:2. DTN 328.5

Não há constrangimento na obra da redenção. Não se exerce nenhuma força externa. Sob a influência do Espírito de Deus, o homem é deixado livre para escolher a quem há de servir. Na mudança que se opera quando a alma se entrega a Cristo, há o mais alto senso de liberdade. A expulsão do pecado é ato da própria alma. Na verdade, não possuímos capacidade para livrar-nos do poder de Satanás; mas quando desejamos ser libertos do pecado e, em nossa grande necessidade, clamamos por um poder fora de nós e a nós superior, as faculdades da alma são revestidas da divina energia do Espírito Santo, e obedecem aos ditames da vontade no cumprir o querer de Deus. DTN 328.6

A única condição em que é possível o libertamento do homem, é tornar-se ele um com Cristo. “A verdade vos libertará” (João 8:32); e Cristo é a verdade. O pecado só pode triunfar, enfraquecendo a mente e destruindo a liberdade da alma. A sujeição a Deus é restauração do próprio ser — da verdadeira glória e dignidade do homem. A lei divina, à qual somos postos em sujeição, é a “lei da liberdade”. Tiago 2:12. DTN 329.1

Os fariseus haviam declarado ser filhos de Abraão. Jesus lhes disse que essa pretensão só podia ser assegurada mediante a prática das obras de Abraão. Os verdadeiros filhos de Abraão viveram, como ele próprio vivera, uma vida de obediência a Deus. Não buscariam matar Aquele que estava falando a verdade que Lhe fora dada por Deus. Conspirando contra Cristo, os rabis não estavam fazendo as obras de Abraão. Não tinha nenhum valor a simples descendência natural de Abraão. Sem ter com ele ligação espiritual, a qual se manifestaria em possuir o mesmo espírito, e fazer as mesmas obras, não eram seus filhos. DTN 329.2

Este princípio se relaciona com igual peso a uma questão longamente agitada no mundo cristão — a da sucessão apostólica. A descendência de Abraão demonstrava-se não por nome e linhagem, mas pela semelhança de caráter. Assim a sucessão apostólica não se baseia na transmissão de autoridade eclesiástica, mas nas relações espirituais. Uma vida influenciada pelo espírito dos apóstolos, a crença e ensino da verdade por eles ensinada, eis a verdadeira prova da sucessão apostólica. Isto é que constitui os homens sucessores dos primeiros mestres do evangelho. DTN 329.3

Jesus negou que os judeus fossem filhos de Abraão. Disse: “Vós fazeis as obras de vosso pai.” Em zombaria, responderam: “Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus”. João 8:41. Estas palavras, em alusão às circunstâncias de Seu nascimento, foram atiradas como uma estocada contra Cristo, em presença dos que começavam a nEle crer. Jesus não deu ouvidos à baixa insinuação, mas disse: “Se Deus fosse o vosso Pai, certamente Me amaríeis, pois que Eu saí, e vim de Deus”. João 8:42. DTN 329.4

As obras deles testificavam de suas relações com aquele que era mentiroso e assassino. “Vós tendes por pai ao diabo”, disse Jesus, “e quereis satisfazer os desejos de vosso pai: ele foi homicida desde o princípio, não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. [...] Mas porque Eu vos digo a verdade, não Me credes”. João 8:44-46. O fato de Jesus falar a verdade, e isso com convicção, era motivo de não ser recebido pelos chefes judeus. Era a verdade que escandalizava esses homens cheios de justiça própria. A verdade expunha a falácia do erro; condenava-lhes o ensino e a prática, e era mal-recebida. Preferiam fechar os olhos à verdade a humilhar-se e confessar que tinham estado em erro. Não amavam a verdade. Não a desejavam, embora fosse a verdade. DTN 329.5

“Quem dentre vós Me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes?” João 8:46. Dia a dia, durante três anos, os inimigos de Cristo O haviam seguido, procurando encontrar uma mancha em Seu caráter. Satanás e toda a confederação do mal O tinham procurado vencer; mas coisa alguma nEle acharam de que se pudessem aproveitar. Os próprios demônios eram forçados a confessar: “Bem sei quem és: o Santo de Deus”. Marcos 1:24. Jesus vivia a lei aos olhos do Céu, dos mundos não caídos e dos homens pecadores. Diante dos anjos, dos homens e dos demônios, havia Ele proferido, sem ser contestado, palavras que, partidas de quaisquer outros lábios, teriam sido uma blasfêmia: “Eu faço sempre o que Lhe agrada.” DTN 330.1

O fato de, embora não podendo encontrar pecado em Cristo, os judeus O rejeitarem, provava que eles próprios não tinham nenhuma ligação com Deus. Não reconheciam Sua voz na mensagem de Seu Filho. Pensavam estar julgando a Jesus; rejeitando-O, porém, estavam-se condenando. “Quem é de Deus”, disse Jesus, “escuta as palavras de Deus; por isso vós não escutais, porque não sois de Deus”. João 8:47. DTN 330.2

A lição é verdadeira em todos os tempos. Muito homem que se deleita em usar de evasivas, em criticar, em buscar qualquer coisa questionável na Palavra de Deus, julga estar assim dando provas de independência de espírito e argúcia. Supõe estar julgando a Bíblia, quando, na verdade, está julgando a si mesmo. Torna notória sua incapacidade para apreciar verdades de origem celestial, que abrangem a eternidade. Em face da grande montanha da justiça de Deus, seu espírito não se sente possuído de respeito. Ocupa-se em procurar gravetos e palhinhas, traindo assim uma natureza acanhada e terrena, um coração que está perdendo rapidamente sua capacidade de apreciar a Deus. Aquele cujo coração correspondeu ao divino toque, andará em busca daquilo que lhe aumentará o conhecimento de Deus, e há de apurar e enobrecer o caráter. Como a flor se volve para o Sol, a fim de que os brilhantes raios lhe imprimam seu matiz em belos coloridos, assim se voltará a alma para o Sol da Justiça, para que a luz celestial lhes embeleze o caráter com as graças do caráter de Cristo. DTN 330.3

Jesus continuou, traçando um flagrante contraste entre a posição dos judeus e a de Abraão: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o Meu dia, e viu-o, e alegrou-se”. João 8:56. DTN 330.4

Abraão desejara grandemente ver o prometido Salvador. Fazia as mais fervorosas orações para que lhe fosse dado contemplar o Messias antes de Sua morte. E viu a Cristo. Foi-lhe concedida uma luz sobrenatural, e ele reconheceu o divino caráter de Cristo. Viu o Seu dia e alegrou-se. Foi-lhe dada uma visão do divino sacrifício pelo pecado. Desse sacrifício tinha ele uma ilustração no que se passara consigo mesmo. Fora-lhe dada a ordem: “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e oferece-o [...] em holocausto”. Gênesis 22:2. Sobre o altar do sacrifício, depôs ele o filho da promessa, o filho em quem se concentravam suas esperanças. Então, enquanto estava ao pé do altar com o cutelo erguido para obedecer a Deus, ouviu uma voz do Céu, que dizia: “Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não Me negaste o teu filho, o teu único”. Gênesis 22:12. Essa terrível prova foi imposta a Abraão, a fim de poder ver o dia de Cristo e compreender o grande amor de Deus para com o mundo, tão grande que, para erguê-lo da degradação, entregou Seu único Filho a tão vergonhosa morte. DTN 330.5

Abraão aprendeu de Deus a maior lição que já foi dada a um mortal. Foi atendida sua oração para ver a Cristo antes de morrer. Contemplou-O; viu tudo quanto um mortal pode ver, e ao mesmo tempo subsistir. Fazendo uma inteira entrega, habilitou-se a compreender a visão de Cristo, que lhe fora concedida. Foi-lhe mostrado que, ao dar Seu Filho unigênito para salvar os pecadores da ruína eterna, Deus estava fazendo um sacrifício maior e mais admirável do que o homem jamais poderia fazer. DTN 331.1

A experiência de Abraão respondia à pergunta: “Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei ante o Deus altíssimo? Virei perante Ele com holocaustos? com bezerros de um ano? Agradar-Se-á o Senhor de milhares de carneiros? de dez mil ribeiros de azeite? darei o meu primogênito pela minha transgressão? o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?” Miquéias 6:6, 7. Nas palavras de Abraão: “Deus proverá para Si o cordeiro para o holocausto, meu filho” (Gênesis 22:8), e na provisão feita por Deus de um sacrifício em lugar de Isaque, declarou-se que homem algum poderia fazer expiação por si mesmo. O sistema pagão de sacrifício era inteiramente inaceitável a Deus. Pai nenhum devia oferecer o filho ou a filha por oferta do pecado. Unicamente o Filho de Deus pode tomar sobre Si a culpa do mundo. DTN 331.2

Por meio de seu próprio sofrimento, Abraão foi habilitado a contemplar a missão de sacrifício do Salvador. Mas Israel não quis compreender aquilo que lhes era tão desagradável ao coração orgulhoso. As palavras de Cristo com referência a Abraão não tiveram para Seus ouvintes nenhum significado profundo. Os fariseus não viram nelas senão novo pretexto para seus ardis. Retorquiram zombeteiramente, como se quisessem provar que Jesus era um desequilibrado: “Ainda não tens cinqüenta anos, e viste a Abraão?” DTN 331.3

Com solene dignidade, respondeu Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse Eu Sou”. João 8:58. DTN 331.4

Fez-se silêncio na vasta assembléia. O nome de Deus, dado a Moisés para exprimir a idéia da presença eterna, fora reclamado como Seu pelo Rabi da Galiléia. Declarara-Se Aquele que tem existência própria, Aquele que fora prometido a Israel, “cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Miquéias 5:2. DTN 332.1

Novamente os sacerdotes e rabinos clamaram contra Jesus como blasfemo. O afirmar Ele ser um com Deus, incitara-os antes a tirar-Lhe a vida e, poucos meses mais tarde, declararam abertamente: “Não Te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo Tu homem, Te fazes Deus a Ti mesmo”. João 10:33. Porque Ele era e confessava ser o Filho de Deus, intentavam matá-Lo. Então, muitos dentre o povo, pondo-se do lado dos sacerdotes e rabinos, apanharam pedras para Lhe atirarem. “Jesus ocultou-Se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim Se retirou”. João 8:59. DTN 332.2

A Luz estava brilhando nas trevas; mas “as trevas não a compreenderam”. João 1:5. “E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os Seus discípulos Lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestasse nele as obras de Deus. [...] Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi pois, e lavou-se, e voltou vendo”. João 9:1, 2, 6, 7. DTN 332.3

Geralmente, acreditavam os judeus que o pecado é punido nesta vida. Toda enfermidade era considerada como o castigo de qualquer mau procedimento, fosse da própria pessoa, fosse de seus pais. É verdade que todo sofrimento é resultado da transgressão da lei divina, mas esta verdade fora pervertida. Satanás, o autor do pecado e de todas as suas conseqüências, levara os homens a considerarem a doença e a morte como procedentes de Deus — como castigos arbitrariamente infligidos por causa do pecado. Daí, aquele sobre quem caíra grande aflição ou calamidade, sofria além disso o ser olhado como grande pecador. DTN 332.4

Assim estava preparado o caminho para os judeus rejeitarem a Jesus. Aquele que “tomou sobre Si as nossas enfermidades, e as nossas dores”, era considerado pelos judeus como “aflito, ferido de Deus, e oprimido”; e dEle escondiam o rosto. Isaías 53:4, 3. DTN 332.5

Deus dera uma lição destinada a evitar isso. A história de Jó mostrara que o sofrimento é infligido por Satanás, mas Deus predomina sobre ele para fins misericordiosos. Mas Israel não entendera a lição. O mesmo erro pelo qual Deus reprovara os amigos de Jó, repetiu-se nos judeus em sua rejeição de Cristo. DTN 332.6

A crença dos judeus a respeito da relação existente entre o pecado e o sofrimento, partilhavam-na os discípulos de Cristo. Procurando corrigir-lhes o erro, não explicou a causa da aflição do homem, mas disse-lhes qual seria o resultado. Em virtude da mesma, manifestar-se-iam as obras de Deus. “Enquanto estou no mundo”, disse Ele, “sou a luz do mundo”. João 9:5. Havendo então untado os olhos do cego, mandou-o lavar-se no tanque de Siloé e foi restaurada a vista do homem. Assim respondeu Jesus, de maneira prática, a pergunta dos discípulos, como costumava fazer com as que Lhe eram dirigidas por curiosidade. Os discípulos não eram chamados a discutir o fato de quem tinha ou não tinha pecado, mas a entender o poder e a misericórdia de Deus em dar vista ao cego. Era claro que não havia poder de curar no lodo, ou no tanque em que o cego foi mandado lavar-se, mas que a virtude residia em Cristo. DTN 332.7

Os fariseus não podiam deixar de espantar-se com a cura. Todavia, mais do que nunca, encheram-se de ódio; pois o milagre se realizara no sábado. DTN 333.1

Os vizinhos do jovem, e os que o conheciam antes, quando cego, diziam: “Não é este aquele que estava assentado e mendigava?” João 9:8. Olhavam-no duvidosos, porque, depois que os olhos lhe foram abertos, se lhe mudara a fisionomia, e animara-se, e parecia outro homem. A pergunta corria de uns para outros. Alguns diziam: “É este”; outros: “Parece-se com ele.” Mas o que recebera a grande bênção pôs termo à questão dizendo: “Sou eu”. João 9:9. Falou-lhes então de Jesus, contando-lhes como o curara, e eles perguntaram: “Onde está Ele?” Respondeu: “Não sei”. João 9:12. DTN 333.2

Levaram-no então perante o conselho dos fariseus. Novamente foi interrogado o homem acerca da maneira por que recebera a vista. “Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo. Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus; pois não guarda o sábado”. João 9:15, 16. Os fariseus esperavam fazer Jesus parecer um pecador, não sendo assim o Messias. Não sabiam que fora Aquele que fizera o sábado e conhecia todas as obrigações para com o mesmo, quem curara o cego. Aparentavam admirável zelo pela observância do sábado e, no entanto, estavam planejando matar nesse mesmo dia. Muitos, porém, foram grandemente agitados ao ouvir esse milagre, e ficaram convencidos de que Aquele que abrira os olhos do cego não era um homem comum. Em resposta à acusação de ser Jesus um pecador por não guardar o sábado, disseram: “Como pode um homem pecador fazer tais sinais?” DTN 333.3

Outra vez apelaram os rabinos para o cego: “Tu que dizes dAquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta”. João 9:16, 17. Os fariseus declararam então que ele não nascera cego nem recebera a vista. Chamaram seus pais e perguntaram-lhes: “É este o vosso filho que vós dizeis ter nascido cego?” João 9:17. DTN 333.4

Ali estava o próprio homem, afirmando que nascera cego e que a vista lhe fora restaurada; mas os fariseus preferiam negar a prova de seus próprios sentidos, a admitir que se achavam em erro. Tão poderoso é o preconceito, tão tortuosa a justiça farisaica! DTN 333.5

Restava ainda uma esperança aos fariseus — intimidar os pais do homem. Com aparente sinceridade, disseram: “Como pois vê agora?” Os pais temiam comprometer-se; pois se declarara que quem quer que reconhecesse Jesus como o Cristo, seria “expulso da sinagoga” (João 9:19, 22); isto é, excluído da sinagoga por trinta dias. Durante esse período, nenhuma criança poderia ser circuncidada, nem morto pranteado, na casa do ofensor. A sentença era considerada grande calamidade; e, se deixasse de produzir arrependimento, seguir-se-ia uma pena muito mais rigorosa. A grande obra, em favor de seu filho, levara a convicção aos pais, todavia responderam: “Sabemos que este é nosso filho, e que nasceu cego; mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não sabemos; tem idade, perguntai-lho a ele mesmo; e ele falará por si mesmo”. João 9:20, 21. Esquivaram-se assim a toda responsabilidade, passando-a ao filho; pois não ousavam confessar a Cristo. DTN 334.1

O dilema em que se achavam os fariseus, suas perguntas e preconceitos, sua incredulidade em face dos fatos desse caso, estavam abrindo os olhos da multidão, especialmente do povo comum. Jesus operara freqüentemente Seus milagres em plena rua, e Sua obra era sempre de molde a aliviar sofrimentos. A pergunta em muitos espíritos, era: Faria Deus tão poderosas obras por meio de um impostor, como afirmavam os fariseus ser Jesus? O conflito estava-se tornando muito acalorado de parte a parte. DTN 334.2

Os fariseus viram que estavam dando publicidade à obra realizada por Jesus. Não podiam negar o milagre. O cego estava cheio de alegria e reconhecimento; contemplava as maravilhosas obras da natureza e deleitava-se ante a beleza da Terra e do firmamento. Contava francamente o caso, e de novo o procuraram fazer calar, dizendo: “Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.” Isto é: Não tornes a dizer que este homem te deu a vista; foi Deus que o fez. DTN 334.3

O cego respondeu: “Se é pecador, não sei; uma coisa sei, e é que, havendo eu sido cego, agora vejo”. João 9:24, 25. DTN 334.4

Então tornaram a interrogá-lo: “Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?” João 9:26. Com muitas palavras o procuraram confundir, a fim de que se julgasse iludido. Satanás e seus maus anjos estavam do lado dos fariseus, e uniram suas energias e sutilezas ao raciocínio dos homens, para neutralizar a influência de Cristo. Enfraqueceram as convicções que já se aprofundavam em muitos espíritos. Anjos de Deus estavam também a campo, a fim de fortalecer o homem cuja vista fora restaurada. DTN 334.5

Os fariseus não compreendiam que tinham de tratar com algum outro além do ignorante homem que nascera cego; não conheciam Aquele com quem se achavam em conflito. Luz divina brilhou nos recessos da alma do cego. Enquanto esses hipócritas procuravam fazê-lo descrer, Deus o ajudou a mostrar, pelo vigor e precisão das respostas, que não seria enlaçado. Respondeu: “Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos também Seus discípulos? Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dEle sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés. Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas Este não sabemos de onde é”. João 9:27-29. DTN 334.6

O Senhor Jesus sabia a provação por que o homem estava passando, e deu-lhe graça e expressão de modo que se tornou uma testemunha em Seu favor. Respondeu ele aos fariseus, em palavras que constituíam incisiva censura a seus interrogadores. Pretendiam ser os expositores das Escrituras, os guias religiosos da nação; e, todavia, ali estava Alguém realizando milagres, e eles confessavam ignorar tanto a fonte do poder que Ele tinha, como Seu caráter e títulos. “Nisto pois está a maravilha”, disse o homem, “que vós não sabeis de onde Ele é, e me abrisse os olhos; ora nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a Sua vontade, a esse ouve. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se Este não fosse de Deus, nada poderia fazer”. João 9:30-33. DTN 335.1

O homem havia enfrentado seus inquiridores com as próprias armas por eles manejadas. Seu raciocínio era irrefutável. Os fariseus estavam pasmados e calaram-se — estupefatos diante de suas precisas e decididas palavras. Por alguns momentos houve silêncio. Depois, os sacerdotes e rabinos, de sobrecenho carregado, apanharam e aconchegaram a si as vestes, como a temer contaminação do contato com ele; sacudindo o pó dos pés, atiraram-lhe as acusadoras palavras: “Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós?” João 9:34. E excomungaram-no. Jesus ouviu o que acontecera; e, encontrando-o pouco depois, disse: “Crês tu no Filho de Deus?” João 9:35. DTN 335.2

Pela primeira vez contemplou o cego o rosto de seu Restaurador. Ante o conselho vira seus pais turbados e perplexos; olhara a severa fisionomia dos rabinos; agora seus olhos descansavam sobre o amorável e sereno semblante de Jesus. Com grande dificuldade, já O reconhecera como Delegado do poder divino; agora lhe foi concedida maior revelação. DTN 335.3

Ante à pergunta do Salvador: “Crês tu no Filho de Deus?” o cego replicou, perguntando: “Quem é Ele, Senhor, para que nEle creia?” E Jesus disse: “Tu já O tens visto, e é Aquele que fala contigo”. João 9:35, 37. O homem lançou-se aos pés do Salvador, em adoração. Não somente lhe fora restaurada a visão natural, mas haviam-lhe sido abertos os olhos do entendimento. Cristo lhe fora revelado à alma, e ele O recebeu como o Enviado de Deus. DTN 335.4

Próximo, reunira-se um grupo de fariseus, e a vista deles trouxe à mente de Jesus o contraste sempre manifesto no efeito de Suas palavras e obras. Disse Ele: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos”. João 9:39. Cristo veio abrir os olhos cegos, dar luz aos que se assentam nas trevas. Declarara ser a luz do mundo, e o milagre operado confirmava Sua missão. O povo que contemplou o Salvador em Seu primeiro advento, foi favorecido com mais ampla manifestação da divina presença do que o mundo nunca antes fruíra. O conhecimento de Deus foi mais perfeitamente revelado. Mas por essa mesma revelação estavam sendo julgados os homens. Seu caráter era provado, decidido o seu destino. DTN 335.5

A manifestação de poder divino que dera ao cego tanto a vista natural como a do espírito, deixara os fariseus em trevas ainda mais densas. Alguns de Seus ouvintes, sentindo que as palavras de Cristo se aplicavam a eles, indagaram: “Também nós somos cegos?” Jesus respondeu: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece”. João 9:40, 41. Se Deus vos tivesse tornado impossível ver a verdade, vossa ignorância não envolveria nenhuma culpa. “Mas [...] agora dizeis: Vemos.” Julgais-vos capazes de ver, e rejeitais os meios mediante os quais, unicamente, poderíeis receber a vista. A todos quantos compreendiam sua necessidade, Cristo viera com ilimitado auxílio. Mas os fariseus não confessavam necessidade alguma; recusavam-se a ir a Cristo, e por isso foram deixados em cegueira — uma cegueira de que eles próprios eram culpados. Jesus disse: “Vosso pecado permanece.” DTN 336.1

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